quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

The God of Delusion






"O Papalagui é pobre porque vive obcecado pelas coisas, sem as quais já não consegue viver. Quando do dorso da tartaruga faz uma ferramenta alisa os cabelos (...) o Papalagui ainda faz uma pele para a ferramenta e para esta pele faz um pequeno baú e para o pequeno baú faz outro grande; tudo ele coloca em peles e baús. Tem baús para as tangas, para as roupas de cima e de baixo, para os panos com que se enxuga, com que limpa a boca, e outros panos mais; baús para as peles que põe nas mãos e para as peles que põe nos pés, para o metal redondo e para o papel pesado, para as provisões de boca e para o livro sagrado, para tudo mesmo. Ele faz muitas coisas, quando apenas uma é suficiente (...) Destruindo onde quer que vá, as coisas do Grande Espírito (a natureza), o Papalagui com sua própria força pretende dar vida, novamente, àquilo que matou".


"É difícil para Papalagui (Homem Branco) não pensar. É difícil viver com todas as partes do corpo ao mesmo tempo. É comum ele viver só com a cabeça enquanto todos sentidos dormem profundamente.
...Por exemplo, quando o belo sol brilha, o Papalagui (Homem Branco) pensa imediatamente: "Como o sol brilha agora, que beleza!" E continua pensando: "Como o sol está brilhando, como está bonito!" Isto está errado, inteiramente errado, absurdo, porque o melhor é não pensar em nada quando o sol brilha. O Samoano inteligente estira os membros à luz quente do sol e não pensa em nada. Ele recebe o sol tanto com a cabeça quanto com as mãos, os pés, as coxas, a barriga, todas as partes do corpo. Ele deixa que a pele e os membros pensem por si; e certamente eles também pensam de uma forma diferente da cabeça.
...Pensa em coisas alegres, é certo, mas sem sorrir; pensa certamente em coisas tristes, mas sem chorar.
...O Papalagui (Homem Branco) quase sempre vive em combate perpétuo entre sentidos e seu espírito; ele é um homem dividido em dois pedaços."



Comentários de Tuiavi recolhidos por Erich Scheurmann

* Dedicado a Fabulástico

3 comentários:

pUnChdRuNk-LoVeSiCk disse...

Quem conseguiria viver hoje em dia sem a sociedade capitalista? Tornámos-nos escravos de nós próprios.

HornedWolf disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
HornedWolf disse...

A Declaração do Capitalismo (Consumismo):
O homem e a mulher são canibais por natureza.

Canibais que pensam que comem para sobreviver, quando ha muito que sobrevivem para comer.

Damn you! You are a squeaking puppy, and so are all those who will submit to be governed by laws which rich men have made for their own security. For the cowardly whelps have not the courage otherwise to defend what they get by their knavery. But damn ye, altogether! Damn them for a pack of crafty rascals, and you, who serve them, for a parcel of hen-hearted numbskulls! They villify us, the scoundrels do, when there is only this difference: they rob the poor under the cover of law, forsooth, and we plunder the rich under the protection of our own courage; had ye not better make one of us, than sneak after the arses of those villains for employment? --Black Sam Bellamy, Pirata Capitão

E:

"Quem conseguiria viver hoje em dia sem a sociedade capitalista?"

Não conseguirmos viver sem o capitalismo é um mito igual ao do papão, e vou fazer um post sobre esse assunto, aqui ou no autopsia.